sábado, 10 de março de 2012

As Mulheres da Minha Vida


É verdade que "pedra que muito se muda não cria limo". Sou dessas pedras. Muitas vezes endurecida pelas calosidades de árdua caminhada, sou dulcificada por seres humanos inesquecíveis que cruzam o meu caminho. Dra. Rapadura - dura e doce. Sempre achei graça por me dizerem assim. 

Mas há vantagens em tal caminhada - cruzei com muita gente boa. Pessoas que deixei em cidades onde provavelmente não voltarei, mas que fizeram de mim um ser humano menos egoísta servindo-me de exemplo na busca de ser alguém mais útil na construção de um mundo melhor. Conheci mulheres notáveis em todos os lugares por onde andei e é delas que quero falar aqui, é para elas que vai a minha homenagem na Semana Internacional da Mulher.


Mães, irmãs, filhas... Quantos braços abertos me acolheram? Quantas palavras sábias me deram luz? Quantos exemplos de força me fizeram humilde? Quantas demonstrações de superação me deram coragem?... Não há como não ser eternamente grata.

As mulheres da minha vida são as mulheres da vida e do mundo. São guerreiras vitoriosas em suas lutas diárias na educação dos filhos, na manutenção dos casamentos, na harmonia do lar, contribuindo com braços de ferro para o orçamento doméstico. São espíritos simples, sempre em prece de súplica e gratidão. São corações abertos, completamente livres para o amor e para o perdão, ocupados demais com a dramaticidade de suas vidas para se preocuparem com futilidades. São braços de ferro com mangas arregaçadas para qualquer tipo de trabalho necessário.

As mulhes que marcaram o meu viver pelas estradas da vida, guardam a alegria risonha de quem não tem medo. Suas cabeças erguidas não admitem o desrespeito. Conhecem seu valor e o valor de suas causas. Brigam como feras em defesa da honra própria, da dignidade própria. Dê-lhes montes de roupas para lavar, mandioca para ralar, roças para arar, plantar, colher, filhos para cuidar, gado para tanger... E lá estão elas sem tergiversar, sem queixumes. Alienadas? Não! Se injustiçadas, reclamam! Se exploradas, recusam-se! Se estimuladas, produzem! Se necessitadas, desdobram-se! Que mulheres! Não perdem a feminilidade nem uma saudável vaidade que muitas vezes me fez esperar que penteassem melhor os cabelos e até passassem batom antes de se deixarem fotografar. D. Lia comprou na feira um chapéu que lhe caísse bem para a colheita do feijão. D. Dete caprichou na padronagem da sombrinha que usava na roça em dias de muito sol. No frio e sem agasalho adequado, Fabiana improvisa com toalhas coloridas uma idumentária que a deixa tão linda!


As mulheres que conheci trabalham muito bem em equipe. Se D. Zilda vai colher a mandioca, é só avisar que logo 10-15 mulheres se reúnem para colher, descascar, ralar, lavar, fazer a puba, a farinha e a tapioca. A paga pode ser parte da produção ou retribuição em ajuda na plantação ou colheita. As coisas vão se resolvendo. Sabem vocês o que se dá embaixo de um pé de pau onde essas mulheres trabalham? Conversas, piadas, fofocas. Zombam umas das outras e de si mesmas, contam histórias do passado, rememoram lendas e causos contados pelas avós, ensinam umas às outras receitas, modos mais práticos de fazer coisas triviais. Adoram assuntos "picantes"! E para elas tudo que se refere a homem, a sexo, é suficientemente picante para provocar risinhos nervosos nas mais recatadas e grandes gargalhadas nas velhas sábias já consideradas acima de falsos moralismos e elegâncias inócuas.

Como são versáteis em seus saberes e habilidades! Em seus meios, são capazes de desenvolver grande variedades de ofícios, da lavoura a culinária, da lavagem de roupa ao artesanato, e o fazem enquanto cuidam de suas casas e dos filhos. E quantas linhas eu usaria para falar sobre sua criatividade, sua destreza para trabalhos delicados, sua "finura" para detalhes sofisticadíssimos das rendas e bordados...




Não, não me faltaram exemplos na vida! Conheci duas bisavós, Fausta e Maria, duas avós, Lia e Suzete, tenho uma mãe exemplar, Margarida, duas irmãs, Suzete e Sonja, que são mulheres da melhor cepa; tias e primas muito amigas, e todas as mulheres do mundo, do meu mundo, foram boas e belas. Agora tenho duas filhas, Lia e Teresa, e netas que ainda não são fatos, nem mesmo fetos, mas que já moram em meu coração dilatado, preparado no sagrado coração do arquétipo da Grande Mãe presente em todas as mulheres que cruzaram o meu caminho.




3 comentários:

  1. É exatamente assim que são as mulheres: fortes, batalhadoras, determinadas... as da minha família então?! nem se fala. Grandes exemplos de vida.

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  2. Mulheres, mulheres, mulheres...Sempre elas com seus "trejeitos". Nos iniciam dando a vida, nos ensinam na escola, concebem nossa compreensão como homens e finalmente nos surpreendem com mais encantos e histórias para nos auto conhecermos. Aos 43 anos, começo a juntar retalhos de minhas memórias e evidenciar essas mulheres que foram tão importante em minha vida. Hoje projeto em dois "pequenos" pedaços de mulher, toda explicação para tanto aprendizado com as mulheres da minha vida. Mãe, irmã, professoras,amigas, esposa...tudo isso para observar 02 meninas crescendo juntas e juntar os pontos, fechando um ciclo de entendimento e iniciando um outro ciclo de convivência. Admiro muito espaços como esses, que dividem momentos e expõe pedaços de nossas vidas. Afinal,todos temos alguma coisa para contar. Bjs, parabéns e sucesso!
    Marcos Arnaud

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    1. Linda mensagem, Marcão! Receba o meu abraço amigo e bj os seus por mim.

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