Há uns dias assisti ao filme O Clube do Bang Bang. A despeito da maravilha produzida pelos quatro fotógrafos que protagonizam a história, em alguns momentos eles me pareceram um pouco como que os meninos de Liverpool, sendo que menos sérios e tratando com uma matéria infinitamente mais grave - as próprias vidas e as vidas dos outros.
Menos que os Beatles - uns Menudos e, em alguns momentos, Mamonas Assassinas. Não sei se a impressão foi passada pelo diretor e/ou roteirista. Eles não são mostrados com a força de personalidade de um "fotógrafo de guerra"(refiro-me a James Nachtwey). Parecem levianos. Capazes, mas levianos; geniais, mas levianos... João, pareceu-me o mais sério entre eles. É colocado, no começo do filme, como o fotógrafo genial. Mas é equilibrado. Não ganhou um Pulitzer. Ken viveu pouco e o filme não nos dá a conhecer as suas motivações. Kevin, talvez o que tenha produzido a melhor foto, a vencedora do "seu" Pulitzer, era de uma intensidade estranha, típica de uma certa alienação (as drogas) e premonitória do seu suicídio. Greg, um homem jovem e ousado, que estava lá na hora certa. Mereceu seu prêmio.
Seus trabalhos deram visibilidade mundial ao que eles viram, mas não mudaram o rumo de nada, nem mesmo de suas próprias vidas. Até o suicídio de Kevin, pelo que é mostrado em uma sua carta, era inexorável:
"Estou deprimido… Sem telefone… Sem dinheiro para o aluguel.. Sem dinheiro para ajudar as crianças… Sem dinheiro para as dívidas… Dinheiro!!!… Sou perseguido pela viva lembrança de assassinatos, cadáveres, raiva e dor… Pelas crianças feridas ou famintas… Pelos homens malucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policiais, carrascos…".
"Estou deprimido… Sem telefone… Sem dinheiro para o aluguel.. Sem dinheiro para ajudar as crianças… Sem dinheiro para as dívidas… Dinheiro!!!… Sou perseguido pela viva lembrança de assassinatos, cadáveres, raiva e dor… Pelas crianças feridas ou famintas… Pelos homens malucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policiais, carrascos…".
É... não se entra e sai impunemente de uma aventura dessa, muito menos se vivida da forma que ele a viveu.
É claro que a minha análise pode estar sendo injusta, mas é a partir de uma brecha que o filme deixa ao pinçar tão pontualmente as vidas desses quatro jovens sem nos deixar conhecê-los, diferentemente de o diretor de Fotógrafo de Guerra. Neste, passamos a admirar um homem que atua no mesmo ambiente que os outros quatro, mas de forma responsável, centrada, metódica, tecnicamente perfeita, também obstinada, sem oba-oba.
Gostaria de ter conhecido melhor os "meninos do clube" e não acreditar que eles apenas levaram a profissão como uma aventura. Eles seriam meninos de Woodstock, se fosse aquele o seu tempo.
Infelizmente, não gostei do filme, embora tenha que me dobrar ao material fantástico que os fotógrafos produziram. O filme não deve ter sido justo com eles..
Helenita Monte de Hollanda
Helenita Monte de Hollanda

Nenhum comentário:
Postar um comentário